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viernes, 9 de mayo de 2014

Como montar um consultório de psicologia - pessoa física

Boa tarde,

Acabei me distanciando um pouco dos textos, do blog, por conta da demanda de trabalho, afinal trabalhar como psicologa, professora e consultora acaba tomando quase todo o tempo livre.

Desde o início do blog já passei por diversas fases no consultório, porém esta última merece ser comentada, já que será tema de muitas dúvidas para quem esta começando ou mesmo já tem algum tempo de exercício profissional.

Meu consultório atualmente consiste em uma casa de dois quartos situados no centro de Itu. Escolhi me mudar para uma casa e manter o consultório sozinha pela comodidade de poder tomar minhas próprias decisões sem ter que ficar a mercê do que o restante dos profissionais quer ou não fazer ( acho que isso mais atrapalha do que ajuda).

Quando me mudei para esse espaço tive muitas idéias do que queria fazer: oferecer um tratamento diferenciado utilizando o espaço disponível. Para tanto o consultório foi planejado desde a entrada até o "quintal".

A primeira sala é utilizada para fins de terapia, e é onde ficam as poltronas e o divã.
A segunda sala é a sala utilizada para atendimentos psicopedagógicos, onde se situam os diversos materiais gráficos, jogos, mesa e artigos infantis também.

Tenho ainda uma grande recepção, que em breve contará com uma sala de acupuntura; cozinha; e também o quintal.

O quintal foi pensado como um espaço para utilização de materiais como tintas e areia e também para trabalhar o aspecto psicomotor . Para tanto foi feito um pergolado para que tivessemos um espaço com sombra, também há uma mesa com ombrelone e um espaço com algumas plantas incluindo uma horta aromática. Futuramente também contará com um espaço de horta terapêutica.

Assumir o consultório sozinha não foi tarefa fácil, pois além do investimento e custos a documentação exigida é um pouco demorada e trabalhosa.

Aos psicológos que querem se formalizar ou estão começando agora segue a lista:



  • Inscrição na Prefeitura como psicólogo autônomo com local ( para confecção do alvará do consultório) -  inclui pagar o ISS e levar alguma outra documentação como Alvará dos Bombeiros ( R$ 48,00), ART's (R$ 365,00) e taxa de localização R$ 100,00.
  • Alvará da vigilância sanitária - R$ 86,00 - pode ser bastante demorado
  • Inscrição no CNES
  • Pagamento do INSS
Após tudo isso feito, o que pode demorar até 6 meses você já esta formalmente habilitado para iniciar as atividades, não esquecendo do registro no CRP.

Em breve posto as fotos atuais do espaço.


martes, 30 de octubre de 2012

Bullying: falar e fazer


Todos já ouvimos em algum momento a palavra Bullying, tão falada ultimamente, principalmente no ambiente escolar.

As crianças e adolescentes são o tempo todos orientados por meio de trabalhos, palestras sobre as formas do Bullying, como ele acontece, o que fazer. Mas sempre fico em dúvida quando observo meus alunos, se de fato eles entendem a gravidade do assunto.

O Bullying é uma forma de violência física e psicológica que acontece sucessivas vezes, ou seja, o ato de violência deve ser repetido e regular. O incidente que acontece apenas uma vez, embora ainda seja violência, não é considerado bullying.

Estudos comprovam que os alunos que praticam tais atos, podem ter problemas com a orientação familiar, no sentido de presenciarem cenas de agressão e violência em casa, bem como obterem modelos de comportamento pouco tolerantes os pais e familiares. Dessa forma, acreditam que para se reafirmarem, precisam mostrar-se superiores a alguém. Esse alguém costuma ser diferente dos demais, seja o aspecto físico, seja pelos comportamentos e atitudes. O alvo tende a ser o “diferente”, também o mais fraco.

Embora com tantos exemplos ocorrendo no Brasil, exemplos diários em nossas salas de aula e mesmo diante de tantas orientações, percebo que não tem problema colocar um apelido no colega e ficar o tempo todo chamando-o assim. Tirar sarro repetidamente por algum acontecimento, excluir por alguma diferença, são comportamentos comuns nos adolescentes de hoje.

Para eles, a violência esta lá fora, em quem rouba, mata, mas não dentro da sala de aula, nas brincadeiras muitas vezes infelizes e agressivas que os mesmos praticam diariamente. Mesmo quando os professores alertam, a impressão que dá é de que esse absurdo não acontece ali.

Estamos formando pessoas despreocupadas com a atuação do grupo, o individualismo está se sobressaindo e se o interesse não é seu, por que se preocupar? Percebo que falta tomar contato com a problemática da violência, se colocar no lugar do outro (impossível?), buscar algo melhor a si mesmo e aqueles que estão por perto.

A tarefa dos pais, professores está relacionada à orientação, a dar oportunidade para que cada um possa se desenvolver conforme seu potencial, mas não cabe a nós, escolher pelo outro, mas sim ensinar a responsabilidade.

viernes, 5 de octubre de 2012

SAINDO DA ROTINA: CRIATIVIDADE


 
Cientistas lançam essa semana uma fórmula para a Criatividade, que deve ser tomada diariamente e em doses bem generosas. Todos podem adquiri-la a um preço relativamente baixo e também único a cada pessoa. Para obtê-la basta olhar para si mesmo, um olhar atento para a essência do SER. Ela esta ai, acredite, dentro de você.

Por que é tão difícil para o homem ser criativo? Somos extremamente resistentes em fazer as coisas de um modo diferente daquele que estamos acostumados. Não sentimos segurança em externalizar aquilo que realmente sentimos ou pensamos. Frente a qualquer demanda de “poder fazer aquilo que quiser”, o sentimento de desamparo domina o Ser a ponto de ficarmos paralisados.

A criatividade é uma forma de utilizar ideias e conceitos já existentes, porém de maneiras diferentes da comum. Não precisa necessariamente ser um grande empreendimento tal como o invento do Avião, podendo aparecer no nosso dia-a-dia em pequenas ações e mesmo em ações não tão pequenas.

As crianças tendem a observar o mundo através dos órgãos dos sentidos. Assim, quando uma criança percebe um novo brinquedo, ela o observa, segura, cheira, coloca na boca na tentativa de apreender o máximo possível daquele objeto. Já o adulto, tem uma tendência a catalogar aquilo que percebe do ambiente, dessa forma, ele vê um objeto, faz uma associação de suas características visíveis e o enquadra em um grupo.

Aos poucos vamos deixando de experimentar o mundo livremente, afinal não temos tempo para isso, o trabalho nos chama, já não somos mais crianças para nos divertirmos com coisas simples. Ao abandonarmos a liberdade de experimentar as coisas, também estamos deixando de utilizar nossa criatividade.

A função criativa está relacionada também a imaginação, sentimentos, ao hemisfério direito do cérebro. Já o hemisfério esquerdo é responsável pelo julgamento, correção, regras e normas. Quando deixamos de imaginar, de sentir, de perceber objetos e situações com todos os sentidos que possuímos, também estamos limitando nossa capacidade de fazer novas descobertas, de novas impressões e consequentemente incorremos ao já conhecido.
Podemos ainda estimular essa função de maneira bastante simples e diariamente. Para isso basta fazer as coisas de uma maneira diferente daquela habitual. Ao acordar inverta sua rotina, primeiro tome café da manhã, depois ou banho, alimente-se utilizando a mão esquerda (caso você seja destro, se for canhoto utilize a direita), faça caminhos diferentes para ir ao trabalho, observe os lugares aonde vai, olhe para onde você nunca olha, converse com pessoas diferentes, ouça música, escreva sem se preocupar com as regras, dê-se um tempo de liberdade e experimentação do novo, aos poucos a criatividade fará parte de sua vida com mais afinco.

viernes, 6 de enero de 2012

Dislexia e processo de Aprendizagem

O estudo a respeito do processo de aprendizagem e das condições propícias para tal em nível grupal e individual, tem contribuído para a construção de um ambiente escolar mais voltado as necessidades “reais” e singulares dos alunos, bem como a compreensão das dificuldades apresentadas durante esse percurso.
O aprendizado não ocorre de forma homogênea, ou seja, em uma sala com trinta alunos, haverá divergências quanto à construção do conhecimento. Para realizar essa construção, as informações recebidas precisam ser “transportadas” e correlacionadas às atividades do cotidiano da pessoa.
A dislexia pode ser definida como um transtorno de aprendizagem que envolve a área de leitura, escrita e soletração, acometendo crianças com nível de inteligência normal. Acredita-se que cerca de 3% a 8% das crianças são disléxicas.
Algumas crianças aprendem a ler e escrever com muita facilidade, enquanto outras apresentam uma dificuldade crescente que envolve também a  compreensão do que o professor está solicitando. Essas crianças tentam escrever,  porém os erros na estrutura das palavras se apresentam cada vez mais pronunciados. Aprender a grafia das letras exige que a criança consiga decifrar fonemas isolados das palavras que ela conhece, prestando atenção em apenas uma parte do som da palavra e ainda acreditar que o sinal gráfico seja o próprio som.
A grafia das palavras não segue exatamente a mesma forma da pronúncia dessa mesma palavra. Existem muitas variedades, regras e exceções. Quando escrevemos “s”, “c” ou “ç” ?  “Qu” com som de “q” ? “Final” com “l” mas som de “u” ?
Quando a criança reconhece o sinal como imagem ou mesmo tomam o que o professor fala ao “pé-da-letra”, podem surgir dificuldades. O professor deve estar atento a essas particularidades, bem como outros sinais que possam surgir, tais como troca de letras e procurar trabalhar o processo de leitura e escrita em um período de tempo amplo e adequado a essas necessidades apresentadas.
Alguns sintomas que a criança pode apresentar:
Pré-escola:
  •  Imaturidade no trato com outras crianças;
  •  Dificuldades no desenvolvimento da atenção;
  •  Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
  •  Atraso no desenvolvimento visual;
  •  Dificuldade em aprender rimas e canções;
  •  Dificuldade no desenvolvimento da coordenação motora;
  •  Dificuldade com quebra-cabeças;
  •  Falta de interesse por livros impressos;

Idade escolar

  • Pobre conhecimento de rima e aliterações;
  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade em copiar de livros ou da lousa;
  • Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura, etc.) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.);
  • Desorganização geral;
  • Dificuldades visuais (desordem dos trabalhos no papel e a própria postura da cabeça ao escrever);
  • Confusão entre direita e esquerda;
  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas;
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
  • Dificuldade na memória de curto prazo (como instruções, recados);
  • Dificuldade em decorar seqüências ( meses do ano, alfabeto);
  • Dificuldade na matemática e desenho geométrico;
  • Problemas de conduta como: retração, timidez excessiva, depressão;
  • Ótimo desempenho em provas orais;
O diagnóstico da dislexia é bastante complexo visto que pode surgir uma gama de outros sintomas que aparentemente não tem relação com a o transtorno, porém podem estar intimamente relacionados. A observação deve ser feita com base nos erros de escrita e também em outros aspectos como a percepção estrutural, esquema corporal, capacidade compreensão do que é dito, capacidade expressão verbal, capacidade global de orientação e demais aspectos.
Para tanto, há necessidade de encaminhamento precoce aos profissionais para diagnóstico e tratamento. Por vezes, contando com uma equipe constituída por psicólogo, psicopedagogo e fonoaudiólogo. O tratamento deve ser baseado nas necessidades individuais a pessoa, contemplando suas dificuldades e também potencialidades. À medida que o tratamento ocorre e a criança percebe seu próprio desenvolvimento, os sintomas de baixa auto-estima e demais correlacionados tendem a diminuir, proporcionando maior segurança e motivação quanto ao processo de aprendizagem.

lunes, 24 de octubre de 2011

Transtorno Bipolar - a vida pelos opostos


O transtorno bipolar é considerado uma perturbação afetiva, onde a pessoa apresenta episódios de mania (euforia) alternados com episódios depressivos. As crises nem sempre seguem essa mesma ordem, ou seja, a pessoa pode apresentar crises depressivas sem necessariamente apresentar crises maniacas, nesse intervalo. Dessa forma, os pacientes apresentam mais episódios de um estado e poucos de outro.
Estima-se que cerca de 0,5% das pessoas desenvolvam o transtorno, sendo a idade média para o “aparecimento” dos sintomas por volta dos 30 anos, porém a idade não é um fator limitador, há casos nas mais variadas idades. Dentre as pessoas acometidas pelo transtorno bipolar, cerca de metade delas podem ter parentes que também possuem o transtorno.

Como o padrão das crises não é necessariamente uniforme, o diagnóstico pode ser dificultado, muitas vezes levando um tempo maior para sua conclusão. Assim como o início do transtorno pode ser marcado por uma crise tanto depressiva quanto maníaca, de forma abrupta ou não.

Quando os sintomas aparecem “repentinamente” é mais fácil notar, pois a pessoa pode passar de um estado depressivo para um estado oposto, onde apresenta atitudes onipotentes, egoístas, mostrando-se falador, alegre, realizador, porém de uma maneira um tanto quanto extremada.

Se em alguns casos encontramos ambos estados bem caracterizados, em outros podemos ter a presença das duas coisas quase que simultaneamente. Assim, dentro de um quadro depressivo, temos um comportamento diferente, podendo envolver gastos excessivos, atitudes impulsivas marcadas pela onipotência e até mesmo a realização de vária atividades ao mesmo tempo, porém sem conseguir responsabilizar-se por nenhuma.

Lembro-me de um paciente em estado maníaco que de uma hora para outra, pegou o avião e foi viajar, ficando dias desaparecido. A família, desesperada, tentava entrar em contato, mas não conseguiram localizá-lo. Após semanas, o paciente liga dizendo onde se encontrava. Nesse caso, a família só tomou conhecimento do ocorrido após encontrá-lo, em dificuldades até mesmo financeiras, pois todo o dinheiro que ele tinha levado foi gasto.

No intervalo entre os estados, a pessoa pode parecer normal ou mesmo apresentar leves sintomas, mas de forma a realizar as atividades cotidianas sem dificuldades. Já outras pessoas podem não se recuperar, apresentando comprometimento das atividades do dia-a-dia, entretanto esses casos são menos freqüentes.
Quando na fase depressiva a pessoa pode apresentar falta de energia, cansaço constante, inibição das atividades, tristeza, melancolia, insegurança, baixa auto-estima, pouco interesse pela “vida”, dificuldades de atenção, lentidão até mesmo para o encadeamento de idéias. A pessoa pode, durante uma conversa, parar de falar ou mesmo não concluir um pensamento por conta da dificuldade em concentrar-se e elencar idéias e até mesmo pelo pouco interesse nas coisas cotidianas. Em um estágio mais grave, os laços afetivos acabam sendo evitados, aumentando o isolamento social. A culpa pelos “erros” do passado podem ser freqüentes, levando a lamentações e irritabilidade . A dificuldade para dormir também pode estar presente, bem como a dificuldade em levantar-se pela manhã. Já, em um outro momento podemos ter o excesso de sono como uma fuga da realidade. O sono não é a única coisa que sofre alterações, podemos observar isso quanto a alimentação e o desejo sexual.

Muitas vezes a depressão pode ser mascaradas por doenças físicas como ulceras, gastrite, doenças de ordem psicossomática, ou seja, causadas até mesmo pela própria depressão.

As idéias suicidas podem estar presentes, porém a chance de não se concretizarem é grande pelo sentimento de falta de energia para tal. Mesmo assim, devem ser olhadas com muito critério e atenção.

Na fase maníaca temos sentimentos opostos e frequentemente exagerados como alegria e sentimentos de grandiosidade. A pessoa pode se considerar alguém muito especial, alimentando fantasias onde é dotada de capacidades e poderes especiais. Nada é impossível para essa pessoa. Por vezes podem se tornar socialmente inconvenientes, alimentados pelos sentimentos de grandiosidade, falta de limites, excesso de atividades onde eles sabem de tudo, podem tudo, fazem tudo. A pessoa pode não conseguir concluir idéias, falando sem parar, emendando uma idéia na outra repetidamente e distraindo-se com freqüência, devido a percepção mais aguçada. Os comportamentos impulsivos podem levar a grandes problemas financeiros, já que tendem a gastar excessivamente. Dessa forma, o comprometimento social também pode ser grande, já que a pessoa pode passar por situações vexatórias através de seu comportamento inadequado. O desejo sexual também fica acentuado levando a situações de perigo envolvendo contágio por doenças sexualmente transmissíveis.

As causas do transtorno bipolar estão relacionadas a situações estressantes como traumas, acidentes, mortes, períodos de conflito no qual a pessoa não consegue “supera-los” de maneira satisfatória.
O tratamento do transtorno bipolar deve ser feito com medicamentos e psicoterapia, podendo ser individual ou mesmo familiar, já que há conseqüências fortes e desestruturantes para a mesma. O engajamento do paciente no tratamento deve ser constantemente reforçado, visto que o mesmo tende a abandonar o tratamento na fase maníaca pois se sente muito bem, enquanto que na fase depressiva nada pode ajudá-lo. Os sintomas estando “controlados”, há possibilidade de trabalhar os conteúdos relativos e advindos do transtorno, buscando sempre melhorar a saúde integral da pessoa.

jueves, 20 de octubre de 2011

Contextualizando as dificuldades de aprendizagem


Muito se tem falado acerca das dificuldades de aprendizagem, assim como o aumento dos casos de crianças encaminhadas aos consultórios de psicologia para avaliação e tratamento.
O tema é bastante controverso em se tratando da opinião dos diversos profissionais atuantes como: médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, professores e psicopedagogos, muitas vezes acaba dando margem a rótulos e atitudes discriminatórias.
Os alunos recebidos no consultório geralmente são encaminhados pela escola em que estudam, senão por um professor com um “olhar” mais atento. Dessa forma, os alunos que não conseguem atingir os objetivos propostos podem ser atribuídos de uma dificuldade em aprender, onde a “falta” a ser tratada de encontra no próprio aluno, desconhecendo o contexto em que ele aprende, ou seja, o método de ensino, o ambiente escolar, problemas físicos, entre outros.
A dificuldade de aprendizagem anteriormente era atribuída a carências sócio-culturais, desnutrição, dificuldades econômicas e estruturais, além de “disfunções cerebrais”. A dificuldade centrada na criança isentava a escola de sua participação no fracasso escolar.
A partir do ponto de vista da psicopedagogia outros fatores passaram a ocupar um lugar de destaque nessa problemática, entre eles: papel da família, da escola e da sociedade. Dessa maneira a psicopedagogia busca compreender como esses fatores se relacionam e influenciam de maneia favorável ou não o processo de aprendizagem, tomando o contexto geral no qual o aluno está inserido.
Alguns sintomas a serem observados :
  • hiperatividade, hipoatividade, dificuldade de coordenação motora;
  • baixo nível de concentração, dispersão;
  • problemas de seriações, inversão de números, repetidos erros de cálculo ;
  • problemas na codificação/decodificação simbólica, irregularidades na lectoescrita (habilidade de ler e escrever), disgrafias ( alteração da escrita ligada a problemas perceptivos e motores) ;
  • desajustes emocionais leves, baixo auto-estima;
  • dificuldades de fixação de conteúdos (memória);
  • reprodução inadequada de formas geométricas, confusão entre figura e fundo, inversão de letras
  • inibição na participação, pouca habilidade social, agressividade.
Com a mudança de perspectiva, os professores passam a adotar uma postura mais compreensiva , levando em conta as peculiaridades de cada aluno e incitando-o a mostrar aquilo que ele já sabe, utilizando suas potencialidades. Dessa foma, os profissionais que atendem os alunos com dificuldades de aprendizagem passam a interagir com o ambiente escolar a fim de realizar um trabalho em conjunto de maneira a atender as necessidades de cada aluno, orientando os professores participantes e ouvindo-os em sua atividade.
Para poder auxiliar o aluno com dificuldades de aprendizagem todo o contexto deve ser trabalhado. Assim, a família também tem um papel importante tanto na estimulação da criança, quanto no apoio e acolhimento desta e deve estar atenta as necessidades que forem surgindo. O psicólogo ou psicopedagogo deve ser capaz de trabalhar as dificuldades decorrentes desse processo, procurando estimular as potencialidades, retomar o gosto pelo aprender (muitas vezes prejudicado pelas dificuldades) e fazer a mediação entre escola, família e criança.
O atendimento psicopedagógico de crianças se dá de maneira adequada a sua faixa etária, levando em conta seu desenvolvimento. Dessa forma, os jogos, brincadeiras, atividades cotidianas, são incluídas no tratamento, sendo capaz de chamar a atenção desses sujeitos de modo a conseguirem se expressar e compreender tanto suas dificuldades quanto suas potencialidades, podendo desenvolver-se de acordo com seu tempo. A observação da criança deve ser algo constante, já que o diagnóstico precoce permite um prognóstico mais favorável bem como um processo de tratamento e reabilitação mais rápido. Além disso, a exposição a frustração decorrente das dificuldades apresentadas pode ser evitada, possibilitando a criança maior disposição e receptividade quanto ao processo de aprendizagem.

martes, 5 de julio de 2011

O que é a Psicopedagogia???

Na tentativa de esclarecer o significado do termo "psicopedagogia" podemos incorrer no erro de tentar desmembrar a palavra e dela tirar um significado como : psicopedagogia = psicologia + pedagogia. Entretanto o significado correto não está ai.
A psicopedagogia é um campo de conhecimento relacionado a área das ciências humanas que pretende estudar o processo de aprendizagem e suas possíveis dificuldades. Para tanto, faz uso da integração de vários campos do conhecimento, tais com a Psicologia, a Psicanálise, a Filosofia, a Pedagogia, Neurologia, entre outros. Dessa forma, o papel do psicopedagogo é agir como mediador no processo de apropriação e transmissão do conhecimento em caráter tanto preventivo quanto terapêutico.
A atuação do profissional permeia vários campos como a saúde e a educação, visto que o processo de aprendizagem ocorre em diferentes lugares. Além disso, envolve a família e a comunidade no sentido de orientar quanto as etapas do desenvolvimento.
O profissional encontra-se preparado para atender crianças, adolescentes e até mesmo adultos, atuando na prevenção, diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem. Dessa forma, o trabalho pode ser desenvolvido em escolas, clínicas e  empresas.
Na clínica, o psicopedagogo fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para conversar sobre horários, quantidades de sessões, honorários, a importância da frequência e da presença e o que ocorrer, ou seja, fará o enquadramento. Em seguida, será feita a anamnese, onde serão coletados dados sobre o histórico do sujeito.
O diagnóstico dura de 8 a 10 sessões e ao término desse será feita uma proposta de tratamento visando atender as necessidades do sujeito.
Durante o tratamento são realizadas diversas atividades, com o objetivo de identificar a melhor forma de se aprender e o que poderá estar causando este bloqueio. Para isto, o psicopedagogo utilizará recursos como jogos, desenhos, brinquedos, brincadeiras, conto de histórias, computador e outras situações que forem oportunas. A criança, muitas vezes, não consegue falar sobre seus problemas e é através de desenhos, jogos, brinquedos que ela poderá revelar a causa de sua dificuldade. É através dos jogos que a criança adquire maturidade, aprende a ter limites, aprende a ganhar e perder, desenvolve o raciocínio, aprende a se concentrar, adquire maior atenção.
O psicopedagogo solicitará, algumas vezes, as tarefas escolares, observando cadernos, olhando a organização e os possíveis erros, ajudando-o a compreender estes erros.
Irá ajudar a criança ou adolescente, a encontrar a melhor forma de estudar para que ocorra a aprendizagem, organizando, assim, o seu modelo de aprendizagem.
Na instituição escolar, o psicopedagogo poderá desempenhar as seguintes atribuições:
- ajudar os professores, auxiliando-os na melhor forma de elaborar um plano de aula para que os alunos possam entender melhor as aulas;
- ajudar na elaboração do projeto pedagógico;
- orientar os professores na melhor forma de ajudar, em sala de aula, aquele aluno com dificuldades de aprendizagem;
- realizar um diagnóstico institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o processo ensino-aprendizagem;
- encaminhar o aluno para um profissional (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo etc) a partir de avaliações psicopedagógicos;
- conversar com os pais para fornecer orientações;
- auxiliar a direção da escola para que os profissionais da instituição possam ter um bom relacionamento entre si;
- Conversar com a criança ou adolescente quando este precisar de orientação.
É importante ainda frisar que o psicopedagogo deve estar sempre buscando aprimorar seus conhecimentos na área a fim de poder proporcionar um atendimento de maior qualidade.