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miércoles, 4 de junio de 2014

Conhecendo a Auriculoterapia

A Auriculoterapia pode ser entendida como um tratamento feito através da orelha. Assim, a orelha é considerada um microssistema, contendo pontos que correspondem a órgãos, vísceras, tecidos, membros e que quando estimulados são capazes de trazer alívio para dores, relaxamento e bem estar.

Através da estimulação dos pontos localizados na orelha é possível estabelecer um tratamento rápido e eficaz para : dores em geral ( cefaléia, dores nas costas, dor de garganta, dores musculares), insônia e problemas do sono, ansiedade, azia, gastrite, alergias respiratórias, gripe dentre outros quadros. Além disso atual como um tratamento complementar para emagrecimento e vícios.

Os benefícios e indicações da auriculoterapia são muitos. O tratamento tem início com uma anamnese ( questionário) feito pelo profissional a fim de obter dados a respeito do paciente e de seu quadro clínico. Em seguida é feita uma avaliação visual e também a palpação da orelha . 

Após a análise é proposto um tratamento ao paciente que culmina com a aplicação de sementes, esferas ou agulhas específicas para a auriculoterapia, que são fixadas com micropore. O tratamento é baseado na MTC - medicina tradicional chinesa e pode abranger outros aspectos tais como alimentação e práticas do dia-a-dia do paciente.
A aplicação das sementes é feita com base nos pontos escolhidos pelo profissional e tem como objetivo a estimulação dos pontos.

O paciente deve permanecer por 3 a 5 dias com os "adesivos" na orelha e também deve estimular os pontos algumas vezes por dia.  A retirada do micropore pode ser feita em casa mesmo de forma bastante simples.
O tratamento pode ter frequencia variada, dependendo do caso, pode ser de 2 vezes por semana, semanal, quinzenal ou até mesmo mensal para a manutenção.

Após a aplicação das sementes e estimulação dos pontos o paciente já pode perceber os benefícios do tratamento. Há sintomas que são "eliminados" já na aplicação.

Uma vida corrida, cheia de exigencias acaba ocasionando consequencias para nossa saúde. A falta de tempo de dedicação ao bem estar também está relacionado as frequentes queixas principalmente de dores que acabam se tornando recorrentes.

A auriculoterapia pode ser considerada como um tratamento bastante eficaz, pode ser feito também em crianças e adolescentes promovendo o bem estar e o equilíbrio do organismo.


martes, 30 de octubre de 2012

Bullying: falar e fazer


Todos já ouvimos em algum momento a palavra Bullying, tão falada ultimamente, principalmente no ambiente escolar.

As crianças e adolescentes são o tempo todos orientados por meio de trabalhos, palestras sobre as formas do Bullying, como ele acontece, o que fazer. Mas sempre fico em dúvida quando observo meus alunos, se de fato eles entendem a gravidade do assunto.

O Bullying é uma forma de violência física e psicológica que acontece sucessivas vezes, ou seja, o ato de violência deve ser repetido e regular. O incidente que acontece apenas uma vez, embora ainda seja violência, não é considerado bullying.

Estudos comprovam que os alunos que praticam tais atos, podem ter problemas com a orientação familiar, no sentido de presenciarem cenas de agressão e violência em casa, bem como obterem modelos de comportamento pouco tolerantes os pais e familiares. Dessa forma, acreditam que para se reafirmarem, precisam mostrar-se superiores a alguém. Esse alguém costuma ser diferente dos demais, seja o aspecto físico, seja pelos comportamentos e atitudes. O alvo tende a ser o “diferente”, também o mais fraco.

Embora com tantos exemplos ocorrendo no Brasil, exemplos diários em nossas salas de aula e mesmo diante de tantas orientações, percebo que não tem problema colocar um apelido no colega e ficar o tempo todo chamando-o assim. Tirar sarro repetidamente por algum acontecimento, excluir por alguma diferença, são comportamentos comuns nos adolescentes de hoje.

Para eles, a violência esta lá fora, em quem rouba, mata, mas não dentro da sala de aula, nas brincadeiras muitas vezes infelizes e agressivas que os mesmos praticam diariamente. Mesmo quando os professores alertam, a impressão que dá é de que esse absurdo não acontece ali.

Estamos formando pessoas despreocupadas com a atuação do grupo, o individualismo está se sobressaindo e se o interesse não é seu, por que se preocupar? Percebo que falta tomar contato com a problemática da violência, se colocar no lugar do outro (impossível?), buscar algo melhor a si mesmo e aqueles que estão por perto.

A tarefa dos pais, professores está relacionada à orientação, a dar oportunidade para que cada um possa se desenvolver conforme seu potencial, mas não cabe a nós, escolher pelo outro, mas sim ensinar a responsabilidade.

viernes, 5 de octubre de 2012

SAINDO DA ROTINA: CRIATIVIDADE


 
Cientistas lançam essa semana uma fórmula para a Criatividade, que deve ser tomada diariamente e em doses bem generosas. Todos podem adquiri-la a um preço relativamente baixo e também único a cada pessoa. Para obtê-la basta olhar para si mesmo, um olhar atento para a essência do SER. Ela esta ai, acredite, dentro de você.

Por que é tão difícil para o homem ser criativo? Somos extremamente resistentes em fazer as coisas de um modo diferente daquele que estamos acostumados. Não sentimos segurança em externalizar aquilo que realmente sentimos ou pensamos. Frente a qualquer demanda de “poder fazer aquilo que quiser”, o sentimento de desamparo domina o Ser a ponto de ficarmos paralisados.

A criatividade é uma forma de utilizar ideias e conceitos já existentes, porém de maneiras diferentes da comum. Não precisa necessariamente ser um grande empreendimento tal como o invento do Avião, podendo aparecer no nosso dia-a-dia em pequenas ações e mesmo em ações não tão pequenas.

As crianças tendem a observar o mundo através dos órgãos dos sentidos. Assim, quando uma criança percebe um novo brinquedo, ela o observa, segura, cheira, coloca na boca na tentativa de apreender o máximo possível daquele objeto. Já o adulto, tem uma tendência a catalogar aquilo que percebe do ambiente, dessa forma, ele vê um objeto, faz uma associação de suas características visíveis e o enquadra em um grupo.

Aos poucos vamos deixando de experimentar o mundo livremente, afinal não temos tempo para isso, o trabalho nos chama, já não somos mais crianças para nos divertirmos com coisas simples. Ao abandonarmos a liberdade de experimentar as coisas, também estamos deixando de utilizar nossa criatividade.

A função criativa está relacionada também a imaginação, sentimentos, ao hemisfério direito do cérebro. Já o hemisfério esquerdo é responsável pelo julgamento, correção, regras e normas. Quando deixamos de imaginar, de sentir, de perceber objetos e situações com todos os sentidos que possuímos, também estamos limitando nossa capacidade de fazer novas descobertas, de novas impressões e consequentemente incorremos ao já conhecido.
Podemos ainda estimular essa função de maneira bastante simples e diariamente. Para isso basta fazer as coisas de uma maneira diferente daquela habitual. Ao acordar inverta sua rotina, primeiro tome café da manhã, depois ou banho, alimente-se utilizando a mão esquerda (caso você seja destro, se for canhoto utilize a direita), faça caminhos diferentes para ir ao trabalho, observe os lugares aonde vai, olhe para onde você nunca olha, converse com pessoas diferentes, ouça música, escreva sem se preocupar com as regras, dê-se um tempo de liberdade e experimentação do novo, aos poucos a criatividade fará parte de sua vida com mais afinco.

viernes, 27 de abril de 2012

Mania de doença - Hipocondria



Todos nós conhecemos uma pessoa que frenquentemente consulta o médico para poder confirmar se tem alguma doença grave, se tudo esta bem com sua saúde e que após a consulta continua com a idéia de que algo não esta bem mesmo com o parecer médico de que sua saúde está perfeita. Assim, diante dessa negativa, volta a procurar um médico, um novo médico o qual possa fazer o diagnóstico , já que o anterior nada encontrou e os “sintomas” estando ali tão presentes e de fácil visualização.
Diante dos comentários e suspeitas de doenças, aliados a tantas visitas médicas, dá pra desconfiar de que algo realmente não vai bem, porém a doença pode não estar localizada nesses sintomas averiguados pela própria pessoa e sim em outros relacionados a sua saúde psicológica.
A hipocondria pode ser conhecida popularmente como uma “mania de doença”, onde a pessoa desenvolve idéias de que pode estar com uma doença, geralmente grave, precisando consultar um médico para fazer o diagnóstico e mesmo após a confirmação de que está tudo bem, essas idéias tendem a permanecer. A pessoa, nesse caso, tira conclusões de suas sensações, procurando examiná-las minunciosamente para verificar se esta bem ou não. Diante desse “exame” muitas vezes essas sensações são interpretadas erroneamente, gerando a idéia de uma doença específica.
Esse quadro pode vir acompanhado de intensa ansiedade, prejudicando a vida da pessoa, já que a mesma vive altos e baixos em prol das doenças que julga ter.
Podemos notar que todos os transtorno geram um certo ganho para a pessoa. Neste caso, pessoas que sofreram mudanças em suas vidas no sentido de produtividade e “importância” muitas vezes encontram na hipocondria uma forma de ter a atenção almejada, porém não sem algum sofrimento tanto para a pessoa quanto para os familiares.
O sofrimento e os prejuízos sociais advindos do transtorno configuram uma situação onde o tratamento se faz necessário, buscando a compreensão desse comportamento bem como a melhora dos sintomas para poder recuperar aquilo que foi deixado de lado, seja o convívio com as outras pessoas ou mesmo o trabalho, retomando uma forma de vida mais saudável, estimulando outras formas de comportamento.
Essa atenção se faz necessária o quanto antes para evitar que a hipocondria se torno crônica. Quanto antes o tratamento ocorre, melhores são as chances de sucesso.





viernes, 20 de abril de 2012

Hipomania e sociedade atual


http://aroundthebigworld.tumblr.com/post/21439103401 

Sempre que estamos falando sobre transtornos psicopatológicos percebo uma certa tendência a tentar encontrar as causas em todos os lugares, porém as questões sociais acabam passando um tanto quanto desapercebidas. Embora a maioria das pessoas tenda a acreditar que situações "traumáticas" tendam a provocar problemas psicológicos, essas tais situações geralmente são tidas como extremadas e únicas, esquecendo-se do dia-a-dia da pessoa enquanto participante de uma sociedade com valores e comportamentos bem definidos.
A hipomania pode passar desapercebida, tida apenas como um comportamento social desejável ou características da pessoa. Estamos em um ambiente onde a extroversão é tida como algo necessário e esperado, já que o contrário ( a inibição, timidez) pode trazer diversos problemas para o convívio social do sujeito.
Em uma sociedade onde falar o que pensa, falar com todos sem dificuldades ou pudor algum, ser capaz de fazer muitas atividades ao mesmo tempo e em curto período, estar sempre bem e disponível, estudar, trabalhar, ir a academia, cuidar da casa, da família e ainda cuidar de si são tidos como um dia-a-dia normal e aceitável os sintomas da hipomania passam longe de serem percebidos.
A hipomania pode ser caracterizada como um estado psicológico que antecede os episódios de mania ( aqui tida como uma psicopatologia relativamente mais grave no sentido dos prejuízos a saúde da pessoa). Nesse sentido a mania se apresenta como um estado alterado de comportamento onde a pessoa tende a se sentir muito bem disposta necessitando de menos horas de sono e também de descanso, tendência a falar muito e de maneira rápida, agitação psicomotora, disponibilidade de maior investimento em objetivos pessoais, trabalho, estudos, enfim acaba se engajando energicamente em alguma atividade, aumento da libido, dificuldades de concentração.
Também podemos observar o envolvimento em atividades prazerosas porém com certo comprometimento como fazer compras excessivas e adquirir muitas dívidas, dirigir perigosamente. Comportamentos comumente presentes nos noticiários, afinal na sociedade do consumo, o que interesse mesmo é ter coisas, consumi-las, muitas vezes levando a dívidas que só aumentam.
Os sintomas são muito parecidos com os apresentados na mania porém com menor intensidade, não necessitando de internações ou contenções, porém o tratamento psicológico se torna extremamente necessário a fim de evitar o progresso da psicopatologia bem como evitar os prejuízos advindos dela, buscando restaurar o equilíbrio perdido.

miércoles, 11 de abril de 2012

Esquizofrenia: a pessoa por tras da doença


Sempre em minhas aulas, tento construir junto aos alunos uma visão do humano, da pessoa enquanto falamos dos acometimentos psicopatológicos. Falar de doenças faz com que a pessoa, por vezes, desapareça dando lugar a um conjunto de sintomas com nomenclatura particular. Diante de tudo isso, qual seria, então, o lugar da pessoa e sua diferenciação da doença?
A esquizofrenia se apresenta como um quadro duradouro, persistindo ao longo da vida do sujeito. A pessoa esquizofrênica, possui algumas características relacionadas a doença, podendo desenvolver um estado de afastamento da realidade, pensamentos desorganizados, discurso fragmentado, falta de coerência entre as idéias e até mesmo dificuldades psicomotoras relacionadas a essa desorganização experienciada.
O quadro esquizofrênico costuma ser heterogêneo, ou seja, cada pessoa poderá desenvolver sintomas diferenciados apresentando muitas variações decorrentes disso. Também podemos caracterizar tipos de esquizofrenia : Catatônica, Hebefrênica e Persecutória. Em cada um desses tipos iremos ter a prevalência de um conjunto de sintomas e uma terapêutica também, diferenciada.
Os delírios são freqüentes, constituindo como uma alternativa de “sobreviver” a esse estado de desorganização insustentável. Se caracterizam como uma construção de “histórias” a partir de acontecimentos cotidianos, desejos e demais conteúdos do sujeito. Por vezes, o delírio pode ser persecutório, no sentido da pessoa acreditar que esta sendo seguida, vigiada, criticada e precisar proteger-se disso.
As alucinações auditivo-visuais também podem estar presentes, tendendo a se manifestar em momentos de intenso conflito, buscando fazer frente a uma necessidade do sujeito. Nesse sentido, podemos perceber a alucinação de uma outra pessoa como participante da vida do sujeito, buscando auxilia-lo a enfrentar um conflito específico daquele “momento”.
A incidência do primeiro surto, pode ocorrer na fase da adolescência, onde por si só, se apresenta como uma época do desenvolvimento propicio a conflitos intensos, relacionados a sexualidade, identidade, pertencer a um grupo, entre outros típicos dessa fase.
Após contextualizar o quadro esquizofrênico, como resgatar a pessoa por traz da doença? Existe uma pessoa, com características próprias, com um modo de funcionamento particular, interesses, vontades, expectativas. Uma pessoa que pode ocupar um lugar no contexto social, como participante de uma sociedade, exercendo a cidadania, trabalhando, estudando, se relacionando. Dessa forma, as necessidades e interesses tende a mudar acompanhando o sujeito. O tratamento deve poder propiciar ao paciente lidar com suas dificuldades ao mesmo tempo em que cria condições para que o mesmo possa desenvolver suas potencialidades.



miércoles, 4 de abril de 2012

Autismo




Em plena semana do dia do autismo, achei ser um bom momento para falarmos desse assunto. O autismo é classificado como um transtorno global do desenvolvimento, podendo trazer diversos prejuízos a saúde integral do indivíduo caso não seja compreendido.
A criança autista possui um comportamento de evitação do contato com outras pessoas, estando sempre voltado ao seu mundo particular. Os graus de comprometimento podem variar de casos extremamente graves, onde esse prejuízo acomete muito a vida do sujeito e casos mais brandos onde há possibilidade de uma vida normal, embora com algumas peculiaridades.
Assim como as pessoas são diferentes, os sujeitos autistas também o são, possuindo potencialidades e necessidades singulares. A compreensão dessas particularidades torna-se necessário a um tratamento adequado, que faça frente as necessidades de cada um.
O autismo geralmente se manifesta nos primeiros anos de vida da criança ( antes dos 3 anos de idade) sendo caracterizado por uma “recusa” ao contato social, onde a criança não corresponde aos estímulos sociais praticados pelos pais e cuidadores. Podem apresentar dificuldades de relacionamento, comunicação, compreensão da fala e estereotipias.
As dificuldades relacionadas ao contato social, produzem uma fala descontextualizada, onde não há a intensão de comunicar algo a alguém. O outro, receptor da mensagem, não se encontra acessível.
Os diferentes graus de autismo produzem mudanças quanto a sintomatologia apresentada. Dessa forma, algumas crianças a primeira vista podem não parecer possuir qualquer dificuldade, entretanto outras desenvolvem o mutismo, movimentos estereotipados das mãos, balanços, parecem surdos ( não correspondem aos chamados dos outros), fala repentina e descontextualizada, falta de percepção do outro, insensibilidade aos ferimentos ( pode ferir-se constantemente), falta de percepção e interação com o ambiente, baixa tolerância a mudanças no ambiente e rotina, incapacidade de fazer contato visual.
Diante desse quadro, os pais costumam ser os primeiros a notar que há algo de diferente com a criança, levantando expectativas quanto as dificuldades decorrentes da troca de afetos, quando esta não ocorre. Dessa forma, a estimulação da criança pode ter uma brusca queda, levando a uma piora do quadro, já que os estímulos são extremamente necessários ao desenvolvimento.
As dificuldades de interação social também podem se manifestar de maneira sutil, caracterizando um grau mais brando de autismo. Essas crianças geralmente freqüentam a escola regular mostrando um potencial cognitivo preservado.
O tratamento deve ter seu inicio precocemente, aos primeiros sinais de que algo não vai bem. Dessa forma, torna-se possível possibilitar os estímulos necessários ao desenvolvimento da criança, levando em conta seu potencial e necessidades, assim como as necessidades familiares enquanto cuidadores que precisam se sentir seguros e saudáveis para o sucesso do tratamento.


viernes, 6 de enero de 2012

Dislexia e processo de Aprendizagem

O estudo a respeito do processo de aprendizagem e das condições propícias para tal em nível grupal e individual, tem contribuído para a construção de um ambiente escolar mais voltado as necessidades “reais” e singulares dos alunos, bem como a compreensão das dificuldades apresentadas durante esse percurso.
O aprendizado não ocorre de forma homogênea, ou seja, em uma sala com trinta alunos, haverá divergências quanto à construção do conhecimento. Para realizar essa construção, as informações recebidas precisam ser “transportadas” e correlacionadas às atividades do cotidiano da pessoa.
A dislexia pode ser definida como um transtorno de aprendizagem que envolve a área de leitura, escrita e soletração, acometendo crianças com nível de inteligência normal. Acredita-se que cerca de 3% a 8% das crianças são disléxicas.
Algumas crianças aprendem a ler e escrever com muita facilidade, enquanto outras apresentam uma dificuldade crescente que envolve também a  compreensão do que o professor está solicitando. Essas crianças tentam escrever,  porém os erros na estrutura das palavras se apresentam cada vez mais pronunciados. Aprender a grafia das letras exige que a criança consiga decifrar fonemas isolados das palavras que ela conhece, prestando atenção em apenas uma parte do som da palavra e ainda acreditar que o sinal gráfico seja o próprio som.
A grafia das palavras não segue exatamente a mesma forma da pronúncia dessa mesma palavra. Existem muitas variedades, regras e exceções. Quando escrevemos “s”, “c” ou “ç” ?  “Qu” com som de “q” ? “Final” com “l” mas som de “u” ?
Quando a criança reconhece o sinal como imagem ou mesmo tomam o que o professor fala ao “pé-da-letra”, podem surgir dificuldades. O professor deve estar atento a essas particularidades, bem como outros sinais que possam surgir, tais como troca de letras e procurar trabalhar o processo de leitura e escrita em um período de tempo amplo e adequado a essas necessidades apresentadas.
Alguns sintomas que a criança pode apresentar:
Pré-escola:
  •  Imaturidade no trato com outras crianças;
  •  Dificuldades no desenvolvimento da atenção;
  •  Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
  •  Atraso no desenvolvimento visual;
  •  Dificuldade em aprender rimas e canções;
  •  Dificuldade no desenvolvimento da coordenação motora;
  •  Dificuldade com quebra-cabeças;
  •  Falta de interesse por livros impressos;

Idade escolar

  • Pobre conhecimento de rima e aliterações;
  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade em copiar de livros ou da lousa;
  • Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura, etc.) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.);
  • Desorganização geral;
  • Dificuldades visuais (desordem dos trabalhos no papel e a própria postura da cabeça ao escrever);
  • Confusão entre direita e esquerda;
  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas;
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
  • Dificuldade na memória de curto prazo (como instruções, recados);
  • Dificuldade em decorar seqüências ( meses do ano, alfabeto);
  • Dificuldade na matemática e desenho geométrico;
  • Problemas de conduta como: retração, timidez excessiva, depressão;
  • Ótimo desempenho em provas orais;
O diagnóstico da dislexia é bastante complexo visto que pode surgir uma gama de outros sintomas que aparentemente não tem relação com a o transtorno, porém podem estar intimamente relacionados. A observação deve ser feita com base nos erros de escrita e também em outros aspectos como a percepção estrutural, esquema corporal, capacidade compreensão do que é dito, capacidade expressão verbal, capacidade global de orientação e demais aspectos.
Para tanto, há necessidade de encaminhamento precoce aos profissionais para diagnóstico e tratamento. Por vezes, contando com uma equipe constituída por psicólogo, psicopedagogo e fonoaudiólogo. O tratamento deve ser baseado nas necessidades individuais a pessoa, contemplando suas dificuldades e também potencialidades. À medida que o tratamento ocorre e a criança percebe seu próprio desenvolvimento, os sintomas de baixa auto-estima e demais correlacionados tendem a diminuir, proporcionando maior segurança e motivação quanto ao processo de aprendizagem.

lunes, 24 de octubre de 2011

Transtorno Bipolar - a vida pelos opostos


O transtorno bipolar é considerado uma perturbação afetiva, onde a pessoa apresenta episódios de mania (euforia) alternados com episódios depressivos. As crises nem sempre seguem essa mesma ordem, ou seja, a pessoa pode apresentar crises depressivas sem necessariamente apresentar crises maniacas, nesse intervalo. Dessa forma, os pacientes apresentam mais episódios de um estado e poucos de outro.
Estima-se que cerca de 0,5% das pessoas desenvolvam o transtorno, sendo a idade média para o “aparecimento” dos sintomas por volta dos 30 anos, porém a idade não é um fator limitador, há casos nas mais variadas idades. Dentre as pessoas acometidas pelo transtorno bipolar, cerca de metade delas podem ter parentes que também possuem o transtorno.

Como o padrão das crises não é necessariamente uniforme, o diagnóstico pode ser dificultado, muitas vezes levando um tempo maior para sua conclusão. Assim como o início do transtorno pode ser marcado por uma crise tanto depressiva quanto maníaca, de forma abrupta ou não.

Quando os sintomas aparecem “repentinamente” é mais fácil notar, pois a pessoa pode passar de um estado depressivo para um estado oposto, onde apresenta atitudes onipotentes, egoístas, mostrando-se falador, alegre, realizador, porém de uma maneira um tanto quanto extremada.

Se em alguns casos encontramos ambos estados bem caracterizados, em outros podemos ter a presença das duas coisas quase que simultaneamente. Assim, dentro de um quadro depressivo, temos um comportamento diferente, podendo envolver gastos excessivos, atitudes impulsivas marcadas pela onipotência e até mesmo a realização de vária atividades ao mesmo tempo, porém sem conseguir responsabilizar-se por nenhuma.

Lembro-me de um paciente em estado maníaco que de uma hora para outra, pegou o avião e foi viajar, ficando dias desaparecido. A família, desesperada, tentava entrar em contato, mas não conseguiram localizá-lo. Após semanas, o paciente liga dizendo onde se encontrava. Nesse caso, a família só tomou conhecimento do ocorrido após encontrá-lo, em dificuldades até mesmo financeiras, pois todo o dinheiro que ele tinha levado foi gasto.

No intervalo entre os estados, a pessoa pode parecer normal ou mesmo apresentar leves sintomas, mas de forma a realizar as atividades cotidianas sem dificuldades. Já outras pessoas podem não se recuperar, apresentando comprometimento das atividades do dia-a-dia, entretanto esses casos são menos freqüentes.
Quando na fase depressiva a pessoa pode apresentar falta de energia, cansaço constante, inibição das atividades, tristeza, melancolia, insegurança, baixa auto-estima, pouco interesse pela “vida”, dificuldades de atenção, lentidão até mesmo para o encadeamento de idéias. A pessoa pode, durante uma conversa, parar de falar ou mesmo não concluir um pensamento por conta da dificuldade em concentrar-se e elencar idéias e até mesmo pelo pouco interesse nas coisas cotidianas. Em um estágio mais grave, os laços afetivos acabam sendo evitados, aumentando o isolamento social. A culpa pelos “erros” do passado podem ser freqüentes, levando a lamentações e irritabilidade . A dificuldade para dormir também pode estar presente, bem como a dificuldade em levantar-se pela manhã. Já, em um outro momento podemos ter o excesso de sono como uma fuga da realidade. O sono não é a única coisa que sofre alterações, podemos observar isso quanto a alimentação e o desejo sexual.

Muitas vezes a depressão pode ser mascaradas por doenças físicas como ulceras, gastrite, doenças de ordem psicossomática, ou seja, causadas até mesmo pela própria depressão.

As idéias suicidas podem estar presentes, porém a chance de não se concretizarem é grande pelo sentimento de falta de energia para tal. Mesmo assim, devem ser olhadas com muito critério e atenção.

Na fase maníaca temos sentimentos opostos e frequentemente exagerados como alegria e sentimentos de grandiosidade. A pessoa pode se considerar alguém muito especial, alimentando fantasias onde é dotada de capacidades e poderes especiais. Nada é impossível para essa pessoa. Por vezes podem se tornar socialmente inconvenientes, alimentados pelos sentimentos de grandiosidade, falta de limites, excesso de atividades onde eles sabem de tudo, podem tudo, fazem tudo. A pessoa pode não conseguir concluir idéias, falando sem parar, emendando uma idéia na outra repetidamente e distraindo-se com freqüência, devido a percepção mais aguçada. Os comportamentos impulsivos podem levar a grandes problemas financeiros, já que tendem a gastar excessivamente. Dessa forma, o comprometimento social também pode ser grande, já que a pessoa pode passar por situações vexatórias através de seu comportamento inadequado. O desejo sexual também fica acentuado levando a situações de perigo envolvendo contágio por doenças sexualmente transmissíveis.

As causas do transtorno bipolar estão relacionadas a situações estressantes como traumas, acidentes, mortes, períodos de conflito no qual a pessoa não consegue “supera-los” de maneira satisfatória.
O tratamento do transtorno bipolar deve ser feito com medicamentos e psicoterapia, podendo ser individual ou mesmo familiar, já que há conseqüências fortes e desestruturantes para a mesma. O engajamento do paciente no tratamento deve ser constantemente reforçado, visto que o mesmo tende a abandonar o tratamento na fase maníaca pois se sente muito bem, enquanto que na fase depressiva nada pode ajudá-lo. Os sintomas estando “controlados”, há possibilidade de trabalhar os conteúdos relativos e advindos do transtorno, buscando sempre melhorar a saúde integral da pessoa.

jueves, 20 de octubre de 2011

Contextualizando as dificuldades de aprendizagem


Muito se tem falado acerca das dificuldades de aprendizagem, assim como o aumento dos casos de crianças encaminhadas aos consultórios de psicologia para avaliação e tratamento.
O tema é bastante controverso em se tratando da opinião dos diversos profissionais atuantes como: médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, professores e psicopedagogos, muitas vezes acaba dando margem a rótulos e atitudes discriminatórias.
Os alunos recebidos no consultório geralmente são encaminhados pela escola em que estudam, senão por um professor com um “olhar” mais atento. Dessa forma, os alunos que não conseguem atingir os objetivos propostos podem ser atribuídos de uma dificuldade em aprender, onde a “falta” a ser tratada de encontra no próprio aluno, desconhecendo o contexto em que ele aprende, ou seja, o método de ensino, o ambiente escolar, problemas físicos, entre outros.
A dificuldade de aprendizagem anteriormente era atribuída a carências sócio-culturais, desnutrição, dificuldades econômicas e estruturais, além de “disfunções cerebrais”. A dificuldade centrada na criança isentava a escola de sua participação no fracasso escolar.
A partir do ponto de vista da psicopedagogia outros fatores passaram a ocupar um lugar de destaque nessa problemática, entre eles: papel da família, da escola e da sociedade. Dessa maneira a psicopedagogia busca compreender como esses fatores se relacionam e influenciam de maneia favorável ou não o processo de aprendizagem, tomando o contexto geral no qual o aluno está inserido.
Alguns sintomas a serem observados :
  • hiperatividade, hipoatividade, dificuldade de coordenação motora;
  • baixo nível de concentração, dispersão;
  • problemas de seriações, inversão de números, repetidos erros de cálculo ;
  • problemas na codificação/decodificação simbólica, irregularidades na lectoescrita (habilidade de ler e escrever), disgrafias ( alteração da escrita ligada a problemas perceptivos e motores) ;
  • desajustes emocionais leves, baixo auto-estima;
  • dificuldades de fixação de conteúdos (memória);
  • reprodução inadequada de formas geométricas, confusão entre figura e fundo, inversão de letras
  • inibição na participação, pouca habilidade social, agressividade.
Com a mudança de perspectiva, os professores passam a adotar uma postura mais compreensiva , levando em conta as peculiaridades de cada aluno e incitando-o a mostrar aquilo que ele já sabe, utilizando suas potencialidades. Dessa foma, os profissionais que atendem os alunos com dificuldades de aprendizagem passam a interagir com o ambiente escolar a fim de realizar um trabalho em conjunto de maneira a atender as necessidades de cada aluno, orientando os professores participantes e ouvindo-os em sua atividade.
Para poder auxiliar o aluno com dificuldades de aprendizagem todo o contexto deve ser trabalhado. Assim, a família também tem um papel importante tanto na estimulação da criança, quanto no apoio e acolhimento desta e deve estar atenta as necessidades que forem surgindo. O psicólogo ou psicopedagogo deve ser capaz de trabalhar as dificuldades decorrentes desse processo, procurando estimular as potencialidades, retomar o gosto pelo aprender (muitas vezes prejudicado pelas dificuldades) e fazer a mediação entre escola, família e criança.
O atendimento psicopedagógico de crianças se dá de maneira adequada a sua faixa etária, levando em conta seu desenvolvimento. Dessa forma, os jogos, brincadeiras, atividades cotidianas, são incluídas no tratamento, sendo capaz de chamar a atenção desses sujeitos de modo a conseguirem se expressar e compreender tanto suas dificuldades quanto suas potencialidades, podendo desenvolver-se de acordo com seu tempo. A observação da criança deve ser algo constante, já que o diagnóstico precoce permite um prognóstico mais favorável bem como um processo de tratamento e reabilitação mais rápido. Além disso, a exposição a frustração decorrente das dificuldades apresentadas pode ser evitada, possibilitando a criança maior disposição e receptividade quanto ao processo de aprendizagem.

lunes, 19 de septiembre de 2011

Psicologia e bem estar : quando a saúde vira doença



A saúde hoje é entendida como bem-estar integral da pessoa, seja física, psicológica ou mesmo social. A pessoa é então, compreendida na sua totalidade, onde todos os aspectos devem estar em equilíbrio e harmonia.
A busca pelo bem-estar é uma constante na sociedade atual. Queremos melhor qualidade de vida no trabalho, lazer, procuramos conforto, alimentação balanceada e de qualidade, estudamos cada vez mais, buscamos informações, fazemos exercícios, relacionamentos, etc.
Existe uma pressão social para que estejamos sempre em movimento e que isso seja cada vez mais dinâmico. As mudanças tecnológicas nos impulsionam para esse mundo que se renova a cada instante e que é possível fazer mais coisas em menos tempo. Assim, queremos muitas coisas e queremos quase que imediatamente ao desejo.
De certa forma, o acesso a informação e também o consumo de bens pode nos propiciar algo perto disso, porém nem tudo funciona assim. Os relacionamentos devem ser sempre “cultivados”, o contato com outras pessoas é fundamental para o homem, assim como o cuidado com seu “mundo interior”, com aquilo que está além do físico.
Muito daquilo que se passa conosco internamente pode se manifestar no corpo, principalmente em forma de sintomas : dores de cabeça, tensão, dores de estômago, excesso ou falta de apetite, problemas motores, entre outras coisas.
A diferença entre o estado de saúde e o de doença se encontra na intensidade e freqüência com que apresentamos determinado comportamento. Aquilo que é saudável em excesso pode nos prejudicar. O descontrole emocional pode acarretar situações extremamente desconfortáveis e prejudiciais ao bem-estar da pessoa, levando inclusive a quadros de depressão, estresse, isolamento social.
Muitas vezes, a descoberta de que algo esta errado pode demorar algum tempo e quando de fato percebemos já estamos em uma situação da qual não conseguimos sair sem ajuda.
O cuidado com aquilo que temos de mais singular, nossa personalidade, nosso mundo interno, nossos valores, experiências, deve ser merecedor de atenção, pois é ai que de fatos existimos e por onde podemos nos expressar.
O psicólogo em sua atuação clínica procura auxiliar o sujeito na busca pelo autoconhecimento assim como na construção de um repertório de comportamentos mais saudável, buscando auxiliar na resolução de situações que parecem difíceis de serem superadas, na resolução de conflitos, oferecendo o suporte necessário a pessoa desenvolver suas potencialidades.






lunes, 12 de septiembre de 2011

Solidão na era da comunicação virtual



 
O advento da tecnologia trouxe consigo mudanças significativas nos relacionamentos. O contato “face a face” passou a ser mediado pelo computador. Se antes conhecíamos pessoas em atividades cotidianas como ir ao trabalho, escola, supermercado, entre outros lugares, hoje não nos preocupamos mais com as pessoas de nosso convívio, mas sim aquelas que conhecemos em grupos e ambiente virtual, onde podemos ser quem quisermos.
O contato mediado pelo computador nos proporcionou concretizar toda e qualquer fantasia, pois nesse ambiente podemos ter características, status, poder, etc que pudermos imaginar e ainda estarmos protegidos pelo “anonimato”. Além disso, quando não quisermos mais é só fechar a tela.
Dessa forma, toda a pressão social em ter e ser, pode ser satisfeita. A menina tímida se transforma em uma mulher poderosa e sedutora, o homem em idade avançada em um jovem, o garoto que se acha pequeno pode ter um corpo invejável. O que dizemos e mostramos na internet condiz muito mais com o que gostaríamos de ser do que o que realmente somos.
Com tantas facilidades de estar em contato com outras pessoas, seja pessoalmente ou em ambiente virtual, a solidão parece mais presente do que nunca, porém esse tema não encontra muito espaço para discussão.
O individualismo presente na sociedade atual, leva ao isolamento das pessoas : estamos cercados por pessoas mas a qualidade dos relacionamentos não é suficientemente boa e o sentimento de estar sozinho no mundo encontra seu lugar.
Quando saímos do ambiente virtual onde somos nossos ideais, a dura realidade de limitações, faltas fica mais evidente, podendo levar o sujeito a sentir-se frustrado com aquilo que tem e que é.
A solidão esta presente em todas as faixas etárias: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Podendo estar relacionada ao isolamento social e a depressão. Nesse caso, a pessoa se encontra em um estágio onde somente a vontade de “sair dessa” pode não ser o suficiente. Assim, o tratamento psicológico pode ajudar a pessoa a construir uma nova
maneira de lidar com pensamentos e comportamentos negativos e desfavoráveis ao seu bem-estar e a encontrar um novo sentido às suas vivências.
Se por um lado a internet facilitou a comunicação, por outro prejudicou os relacionamentos interpessoais. Estamos cercados por pessoas, porém não nos sentimos a vontade para sermos nós mesmo, para expressar nossas opiniões, sentimentos, expectativas, frustrações. O ambiente virtual muitas vezes serve de máscara escondendo o verdadeiro “eu”, suas potencialidades e limitações.

lunes, 5 de septiembre de 2011

Um pouco sobre Distimia


Muito se tem falado sobre os estados depressivos, seus sintomas e tratamentos, porém a forma como se trata esses transtornos de humor acaba por englobar diversos “níveis” sem fazer nenhuma distinção entre eles.
A distimia pode ser entendida como um transtorno afetivo da personalidade onde a pessoa tende a ter uma visão negativa do mundo, estando sempre mal-humorada, triste, melancólica, baixa auto-estima, baixa energia, acentuando frequentemente o lado negativo das coisas enquanto deixa de dar importância aos aspectos positivos. Nesse caso não há um prejuízo severo na vida social e profissional da pessoa, porém há algum comprometimento que deve ser olhado.
O sentimento de menos valia e o negativismo faz com que a pessoa não se sinta merecedora de aproveitar as coisas “boas” da vida, ter lazer, ter prazer podendo levar ao isolamento social, insônia e aumento da ansiedade.
As crianças também podem ser acometidas por esse transtorno, estando muitas vezes relacionado as dificuldade de aprendizagem. O período de maior freqüência é a adolescência, porém pessoas em diversas etapas da vida podem desenvolver a distimia, estando relacionada a uma maior incidência em mulheres.
Diferente da depressão que pode se instalar de maneira repentina, a pessoa com distimia apresenta constantemente o mau-humor e negativismo, vindo a se constituir como uma doença crônica. Assim o diagnóstico deve envolver um período de aparecimento dos sintomas de pelo menos dois anos consecutivos.
Muitas vezes a pessoa com distimia acredita que os sintomas apresentados por ela fazem parte de sua personalidade não conseguindo enxergar possibilidade de melhora. Nesse período podem ocorrer episódios de depressão, porém com o retorno ao estado anterior.
A distimia pode ser tratada, podendo devolver ao indivíduo uma condição de vida mais saudável, onde suas potencialidades podem ser trabalhadas e desenvolvidas. Para que isso aconteça é necessário um tratamento psicológico e por vezes médico, no sentido de administrar a medicação necessária ao controle dos sintomas. O tratamento associado tem maiores chances de sucesso, pois ao mesmo tempo em que os sintomas estão sendo controlados a psicoterapia irá ajudar a pessoa a construir uma nova maneira de “viver”, de estabelecer relações interpessoais.
Quando a distimia não é tratada, o transtorno pode se agravar evoluindo para casos de depressão onde o isolamento social é muito freqüente assim como a impossibilidade da pessoa ao realizar atividades cotidianas e até mesmo há possibilidade de suicídio.

martes, 23 de agosto de 2011

Dismofia Corporal : quando a imagem fere



Em meio a uma sociedade onde moda, comportamento e maneira de pensar são constantemente “sugeridos” os padrões de beleza, medidas do corpo, tipo de cabelo, entre outras características físicas não poderiam estar de fora.

Quem não quer ter o corpo da atriz ou do ator de novela, o mesmo cabelo, o tipo do rosto ? Cada vez mais pessoas apresentam esse ideal e o acesso a técnicas de transformação corporal também ficaram mais acessíveis. Assim, fazer uma cirurgia plástica hoje é algo comum, mudar os cabelos então...são tantas técnicas e tantas possibilidades.

A pressão social para seguir determinados padrões pode influenciar as pessoas a desejar ser algo muito diferente do que são. Nesse caso, a insatisfação e a baixa auto-estima tendem a aumentar conforme o nível de diferença entre o que se é e o que se deseja ser. Ao olhar no espelho e não encontrar a imagem ideal, muitas pessoas tendem a buscar alternativas para conseguir tornar isso realidade, seja na academia, nos salões de estética, nas dietas ou mesmo nas cirurgias. A saúde e o bem-estar passam a ocupar o segundo plano dando lugar aos excessos.

A pessoa insatisfeita com sua imagem corporal tende a encontrar defeitos onde deveria haver qualidades. Assim, as pernas são grossas demais, a altura deveria ser maior alguns centímetros, a cor da pele mais bronzeada, os olhos mais claros, os cabelos lisos, etc. O descontentamento excessivo tende a provocar prejuízos a saúde como um todo já que interfere tanto nos aspectos físicos, quanto psicológicos e sociais. Aos poucos a pessoa se afasta do convívio com os demais por achar que seus “defeitos” são intoleráveis, por não corresponder ao socialmente aceitável.

A dismorfia corporal pode ser tratada no início dos sintomas, tendo a família um papel fundamental a desempenhar, no sentido de mostrar a pessoa que todos somos diferentes, que possuímos qualidades, sempre exaltando os aspectos positivos e as potencialidades ali presentes. O tratamento psicológico e até mesmo psiquiátrico por vezes também é necessário, no sentido de oferecer as condições necessárias à construção de uma imagem de si mesmo, onde há espaço para reconhecer as qualidades e poder estar bem consigo mesmo de uma maneira saudável.

Dentre os principais sintomas da dismorfia corporal temos: mau humor, insatisfação constante, dificuldade em desempenhar tarefas, dificuldade de relacionamento, falta de iniciativa, prejuízo na capacidade criativa, inibição, timidez, podendo chegar a um estado mais grave.

Embora a busca pelo bem-estar esteja em evidência, os padrões sociais também se mostram mais exigentes e acompanhar essas tendências nem sempre é possível. Saudável mesmo é aprender a reconhecer o que cada um tem como algo positivo e singular.

sábado, 6 de agosto de 2011

Orientação Vocacional


O mercado de trabalho sofreu grandes mudanças nos últimos tempos. Se antes as profissões de maior destaque eram medicina, direito, engenharia, hoje a gama de profissões aumentou consideravelmente.
O adolescente, no momento da escolha profissional deve levar em conta algumas coisas para tomar uma decisão: que tipo de atividades gosta de fazer, ganhos relacionados a profissão, mercado de trabalho, imagem que se tem da profissão, expectativas dos pais e familiares, onde quer estudar, entre outras coisas.
Quando realizo a  orientação vocacional com os alunos  do ensino médio, me deparo com algumas variáveis que eles consideram importantes: salário, possibilidade de emprego, o que meus pais querem que eu seja, matérias estudadas na faculdade e a faculdade. Será apenas isso???
O momento da escolha deve ser trabalhado no sentido de propiciar a pessoa o conhecimento de si mesmo e também das profissões para que este se sinta seguro ao tomar uma decisão. Além disso, deve ficar claro que as escolhas feitas implicam em deixar para traz o que não foi escolhido, porém sempre há possibilidade de mudar.
Muitos adolescentes acreditam que podem escolher a profissão errada e ai reside o maior medo deles. A profissão errada pode não existir, assim como a profissão certa engloba várias possibilidades. Não há um certo e errado bem definido, o que existe são escolhas.
A expectativa dos pais em relação ao futuro dos filhos também influencia muito na tomada de decisão, já que o adolescente quer seguir seu caminho ao mesmo tempo em que não quer "desapontar" os pais. Assim, as dúvidas surgem, muitas vezes por caminhos opostos e o conflito entre aquilo que se quer e aquilo que os outros querem passa a ser determinante.
Durante a orientação vocacional procuramos propiciar ao adolescente a possibilidade de se conhecer, conhecer o caminho percorrido pelo graduando até a formação e as atuações em cada profissão, bem como o mercado de trabalho atual e as expectativas sociais.
As escolhas norteiam nossas vidas, porém saber escolher é o que difere uma escolha que atenda as expectativas de outra frustrante. Quanto mais variáveis e conhecimentos temos do contexto maior a chance de escolhermos acertadamente.

martes, 26 de julio de 2011

Um pouco sobre : Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout está relacionada ao estresse intenso com prejuizos fisicos e emocionais, em uma situação de trabalho, principalmente quando exige contato frequente com outras pessoas. Dessa forma, as profissões consideradas de "ajuda" apresentam maior frequencia da sindrome.
Os profissionais tendem a apresentar comportamento agressivo e irritadiço, exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos.
As profissões mais acometidas pela síndrome são: médicos, psicólogos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal, telemarketing, bombeiros entre outras.
A pessoa acometida pela síndrome acaba por perder o interesse pelo trabalho, onde o mesmo passa a não ter mais importância, portanto deixa de fazer suas atividades profissionais pois "não há serventia alguma".
Entre os fatores tidos como desencadeantes da síndrome temos: pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe. 
Os primeiros anos de trabalho do profissional, seriam os mais vulneráveis ao aparecimento da síndrome, assim como há maior incidências em mulheres, talvez devido a dupla jornada de trabalho ( casa e trabalho fora).
A síndrome se difere do estresse, pois está relacionada ao ambiente de trabalho em si, enquanto o estresse diz respeito a vida pessoal da pessoa, embora possa interferir profissionalmente.
Alguns sintomas são bastante comuns na síndrome, entre eles:
  • Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais
  • Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado.
  • Sintomas físicos de estresse, cansaço e mal estar geral.
  • Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa autoestima.
  • Irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa tolerância à frustração, comportamento paranóides e/ou agressivos para com os clientes, companheiros e para com a própria família.
  • Fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc.
  • Condutas aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção do ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família.
O diagnóstico da síndrome assim como seu tratamento deve ser feito por um profissional adequado, visto que se trata de uma situação bastante delicada e a falta de habilidades para possiveis intervenções pode agravar o caso.